Uma Questão de Mentalidade
Numa recente conversa com João Toste, tive a oportunidade de compreender a enorme diferença de mentalidade entre os jovens portugueses e americanos face à educação e ao ensino. Terceirense de nascimento, João Toste é actualmente estudante do 3º ano de Economia e Ciências Políticas na Universidade Chapel Hill na Carolina do Norte, Estados Unidos da América. O João estudou em Angra do Heroísmo até ao 11º ano, terminando o 12º na Lajes High School (actualmente Lajes American School), a escola americana na Base Aérea nº 4. Segundo a sua experiência escolar e universitária, existem três grandes diferenças entre os dois sistemas.
Comparado com o norte-americano, o sistema português é pouquíssimo exigente, tem um nível mais baixo e os colegas não são muito competitivos. Outro facto muito influente é o nível dos professores. Tal como o João refere, é importante a escola estar bem equipada com meios tecnológicos, mas o mais para o desenvolvimento dos alunos são os professores. Além disso, comparando os dois sistemas de ensino, há uma diferença brutal que muda tudo: o sistema americano tem mais flexibilidade, ou seja, os alunos têm a opção de escolher entre disciplinas mais fáceis ou mais difíceis, o que faz com que os melhores sejam muito melhores e com que os piores sejam muito piores. Esse tipo de liberdade de escolha faz com que seja muito mais fácil ver quais é que são realmente os bons alunos porque o sistema não estabeleceu um determinado padrão de dificuldade composto por certas disciplinas comuns a todos os alunos. Os alunos que querem progredir e que têm realmente o talento ou a vontade de melhorar, trabalham de acordo com as suas capacidades e não são atrasados pelos mais desinteressados ou pouco trabalhadores. Isto faz com que o mínimo exigido pelo sistema seja muito mais elevado. Para os alunos ambiciosos e determinados “o infinito é o limite e não o sistema”.
Para terem boas hipóteses de entrar nas melhores universidades americanas, os candidatos do ensino secundário não se limitam a escolher as disciplinas mais difíceis e a ter uma média considerada perfeita. Ser excelente na escola não é suficiente para garantir o acesso à universidade pretendida. Para serem aceites, estes alunos têm que ter desenvolvido actividades extracurriculares consideradas interessantes pelos departamentos de admissão universitários - algo que mostre que os alunos querem realmente ser “os mais activos da sua comunidade”.
Quando se chega à universidade, pouca coisa muda. O grau de exigência, obviamente, é extremamente elevado, mas os alunos continuam a não se limitarem a tirar muito boas notas nas disciplinas. Segundo o João Toste, “nos Verões, um bom aluno, entre os anos, encontra sempre uma coisa produtiva para fazer, mas num nível muito superior; na verdade, mesmo um aluno médio não passa os Verões sem ter algo produtivo e desafiante para fazer”. É aqui que se vê uma enorme diferença de mentalidade entre os alunos norte-americanos e os alunos portuguêses, que, segundo a justificação do João, tem a ver com questões culturais.
Por fim, tendo em conta a sua experiência, o João Toste considera ter mudado muito a sua mentalidade. A melhor forma de mostrar isso é um simples exemplo: “A ideia de dormir 4 horas por dia durante 4 dias seguidos não é nada de especial de longe. Ter que estudar uma disciplina e preparar-se para uma reunião e ligar a não sei quantas pessoas por causa de um projecto que estou a desenvolver e marcar a viagem para um determinado sítio e juntar tudo isso no mesmo dia e ainda ir às aulas e ter tempo para amizades – tudo isso podia parecer uma coisa brutal que não fazia sentido nenhum e que precisava de demasiado esforço e que não recompensava, mas acho, acho que é perfeitamente normal e é o mínimo, pois para mim, ser aluno médio na universidade seria péssimo”.
Os Estados Unidos da América estão no topo da lista das melhores universidades mundiais. Muitas destas universidades são importantes centros de investigação e de inovação. Portugal está a um outro nível, mas tem todas as condições para se transformar, a médio prazo, num pólo importante na inovação tecnológica a nível europeu. Então porque não faz como a Finlândia que, citando Paulo Nordeste, da Portugal Telecom, “ocupa hoje os lugares cimeiros em practicamente todos os “rankings” internacionais ligados à competitividade, investigação e desenvolvimento, inovação e desenvolvimento da sociedade da informação e do conhecimento”? O sucesso finlandês resulta da aposta sustentada na educação, investigação e tecnologia. O nosso problema, não é uma questão de inteligência, mas sim de mentalidade. Como explica António Câmara, presidente da Y-Dreams, já há muitos portugueses dispersos pelo globo cujos talentos são reconhecidos por grandes empresas como a Lotus ou a Apple.
E nós? Conseguiríamos fazer a diferença se fossemos educados com outra mentalidade, se fossemos ensinados que a partir do primeiro ano de escolaridade começa o trabalho, o esforço e a dedicação ao estudo. Quanto aos estudantes universitários, tal como disse um amigo de família, o economista Mário Rui Ferreira, “eles têm de perder o medo de serem escravos durantes 5 anos para poderem ser reis para toda a vida”.
Comparado com o norte-americano, o sistema português é pouquíssimo exigente, tem um nível mais baixo e os colegas não são muito competitivos. Outro facto muito influente é o nível dos professores. Tal como o João refere, é importante a escola estar bem equipada com meios tecnológicos, mas o mais para o desenvolvimento dos alunos são os professores. Além disso, comparando os dois sistemas de ensino, há uma diferença brutal que muda tudo: o sistema americano tem mais flexibilidade, ou seja, os alunos têm a opção de escolher entre disciplinas mais fáceis ou mais difíceis, o que faz com que os melhores sejam muito melhores e com que os piores sejam muito piores. Esse tipo de liberdade de escolha faz com que seja muito mais fácil ver quais é que são realmente os bons alunos porque o sistema não estabeleceu um determinado padrão de dificuldade composto por certas disciplinas comuns a todos os alunos. Os alunos que querem progredir e que têm realmente o talento ou a vontade de melhorar, trabalham de acordo com as suas capacidades e não são atrasados pelos mais desinteressados ou pouco trabalhadores. Isto faz com que o mínimo exigido pelo sistema seja muito mais elevado. Para os alunos ambiciosos e determinados “o infinito é o limite e não o sistema”.
Para terem boas hipóteses de entrar nas melhores universidades americanas, os candidatos do ensino secundário não se limitam a escolher as disciplinas mais difíceis e a ter uma média considerada perfeita. Ser excelente na escola não é suficiente para garantir o acesso à universidade pretendida. Para serem aceites, estes alunos têm que ter desenvolvido actividades extracurriculares consideradas interessantes pelos departamentos de admissão universitários - algo que mostre que os alunos querem realmente ser “os mais activos da sua comunidade”.
Quando se chega à universidade, pouca coisa muda. O grau de exigência, obviamente, é extremamente elevado, mas os alunos continuam a não se limitarem a tirar muito boas notas nas disciplinas. Segundo o João Toste, “nos Verões, um bom aluno, entre os anos, encontra sempre uma coisa produtiva para fazer, mas num nível muito superior; na verdade, mesmo um aluno médio não passa os Verões sem ter algo produtivo e desafiante para fazer”. É aqui que se vê uma enorme diferença de mentalidade entre os alunos norte-americanos e os alunos portuguêses, que, segundo a justificação do João, tem a ver com questões culturais.
Por fim, tendo em conta a sua experiência, o João Toste considera ter mudado muito a sua mentalidade. A melhor forma de mostrar isso é um simples exemplo: “A ideia de dormir 4 horas por dia durante 4 dias seguidos não é nada de especial de longe. Ter que estudar uma disciplina e preparar-se para uma reunião e ligar a não sei quantas pessoas por causa de um projecto que estou a desenvolver e marcar a viagem para um determinado sítio e juntar tudo isso no mesmo dia e ainda ir às aulas e ter tempo para amizades – tudo isso podia parecer uma coisa brutal que não fazia sentido nenhum e que precisava de demasiado esforço e que não recompensava, mas acho, acho que é perfeitamente normal e é o mínimo, pois para mim, ser aluno médio na universidade seria péssimo”.
Os Estados Unidos da América estão no topo da lista das melhores universidades mundiais. Muitas destas universidades são importantes centros de investigação e de inovação. Portugal está a um outro nível, mas tem todas as condições para se transformar, a médio prazo, num pólo importante na inovação tecnológica a nível europeu. Então porque não faz como a Finlândia que, citando Paulo Nordeste, da Portugal Telecom, “ocupa hoje os lugares cimeiros em practicamente todos os “rankings” internacionais ligados à competitividade, investigação e desenvolvimento, inovação e desenvolvimento da sociedade da informação e do conhecimento”? O sucesso finlandês resulta da aposta sustentada na educação, investigação e tecnologia. O nosso problema, não é uma questão de inteligência, mas sim de mentalidade. Como explica António Câmara, presidente da Y-Dreams, já há muitos portugueses dispersos pelo globo cujos talentos são reconhecidos por grandes empresas como a Lotus ou a Apple.
E nós? Conseguiríamos fazer a diferença se fossemos educados com outra mentalidade, se fossemos ensinados que a partir do primeiro ano de escolaridade começa o trabalho, o esforço e a dedicação ao estudo. Quanto aos estudantes universitários, tal como disse um amigo de família, o economista Mário Rui Ferreira, “eles têm de perder o medo de serem escravos durantes 5 anos para poderem ser reis para toda a vida”.
Diário Insular 17 de Fevereiro de 2009
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