sexta-feira, 20 de março de 2009

Olá a todos.

Finalmente, e peço desde já desculpa pela demora, coloco aqui o link para o novo site da República:
http://sites.google.com/site/republicadasletrasclassicos/

entrem no google accounts e (com o nosso mail e pass) e alterem, acrescentem o que quiserem ( coloquem fotos!) - isto para o 12º claro.

beijos a todos

Madalena Lobão
ps. gostei do comment Alice - há coisas que não mudam MESMO

segunda-feira, 16 de março de 2009

Passeios das Letras

Todos gostamos daquelas duas horas de sábado à tarde em que lemos os maravilhosos clássicos e discutimos assuntos da actualidade. Mas não há nada como um belo passeio "no meio do nada". De todos os passeios que fazemos estes são os melhores. Guerras de lama/trufeiras, descidas atribuladas pelas encostas, corridas em nevoeiro cerrado com toiros a 20 metros e quedas embaraçosas, são apenas algumas das façanhas dos jovens da República das Letras.


Ainda me lembro do meu primeiro passeio. Mas quem é que se lembra de se aventurar às 9 da noite pelos cerrados e pelas matas da grandiosa Fonte Faneca? "Ninguém no seu perfeito juízo" foi o que eu pensei enquanto sentia os meus pés a afundarem-se naquela agradável mistura de lama com excrementos de vaquinha. Estava escuro. Muito escuro. E as vacas que apareciam quando menos esperavamos provocavam medo até aos mais destemidos. Mas foi no momento em que atingimos o cimo do agora famoso cerrado e bebemos aquele maravilhoso Porto que percebi que aquele tinha sido o primeiro de muitos caminhos penosos e que, no fim, valeria sempre a pena.


Os anos passaram, mais rápido do que eu alguma vez poderia imaginar, mas algumas coisas continuaram sempre iguais.

14/03/09
11/11/06



Alice Pimentel

Discurso Jantar Memorial Sir Winston Churchill

Classe de 2009, República das Letras

Jantar Memorial Sir Winston Churchill
Clube de Ténis de Angra do Heroísmo, 7 de Março de 2009


Antes de mais, quero agradecer em nome de toda a República das Letras a presença do nosso convidado desta noite, o Major-General Rui Mora de Oliveira, comandante da Zona Aérea dos Açores e à Maria Noronha, a nossa mestre-de-cerimónias durante o ano lectivo de 2008/2009, pela organização do tradicional Jantar Memorial Sir Winston Churchill. Este ano coube me a honra de fazer o discurso o que me deixou bastante entusiasmada mas, cedo me apercebi de que a minha missão não era de todo fácil, principalmente depois de um belo jantar como o que acabamos de ter. Churchill tinha toda a razão quando disse “Só há duas coisas mais difíceis do que fazer um discurso depois do jantar: trepar uma parede que está inclinada para nós e tentar beijar uma mulher que está inclinada para longe de nós”.
O meu tema hoje é o primeiro discurso de Winston Churchill na Câmara dos Comuns como Primeiro-Ministro de Inglaterra no dia 13 de Maio de 1940.
Este tema levanta duas questões. A primeira é porquê Winston Churchill? Churchill, Primeiro-Ministro de Inglaterra durante a Segunda Guerra Mundial, representa ainda hoje, quase sessenta e cinco anos depois, um exemplo de liderança, um caso de audácia e perseverança, que tem inspirado imensa gente durante décadas. A minha geração não o conhece. Churchill aparece a preto e branco nos nossos livros de História mas nós nem sempre lemos livros de História hoje em dia. É pena. Churchill pode ter nascido em 1874 e morrido em 1965 – só o Major-General Mora de Oliveira e o Professor eram vivos nessa altura - mas continua a ser extremamente actual.
Aos 65 anos, Churchill era considerado pelo mundo político inglês um verdadeiro fracasso. Os erros sucessíveis que cometera durante a sua carreira e a sua idade avançada haviam contribuído para a sua reputação de homem acabado, irresponsável e pouco credível. Chegou mesmo a ser odiado, não só pelos Trabalhistas e Liberais, mas também pelos membros do seu próprio partido Conservador.
Em 1940, o destino trágico de Inglaterra e da maior parte da Europa parecia inevitável. O exército alemão parecia imparável: em França, o avanço era tal que provocava o pânico, não só em Paris, mas também aos Ingleses que viam as suas tropas serem massacradas em território francês. Esta situação finalmente despertou a elite política ingleses para a realidade que Churchill há muito anunciara. Todas estas previsões acertadas feitas durante os anos 30, fizeram com que começassem a considerar Churchill como o mais aconselhado para dirigir o país em tempos tão difíceis, ainda que alguns o considerassem, um aventureiro semi-americano, mancharia a exemplar reputação inglesa de outros tempos. Assim, Churchill chegou ao cargo de Primeiro-Ministro com uma tremenda tarefa entre mãos e o que o tornou tão legendário foi a forma como lidou com ela e como reverteu “a sua guerra” um pouco a seu favor.
Confrontado com um possível domínio alemão sobre toda a Europa, Churchill, enquanto primeiro-ministro, revelou, não só ser um líder nato, mas também demonstrou uma extraordinária capacidade de ver a longo prazo, isto é, para além de analisar de forma sensata uma das mais difíceis situações dos últimos séculos, foi capaz de prever as suas consequências e solucioná-la. Em 1940 a derrota de Inglaterra parecia inevitável. A liberdade e a democracia pareciam condenadas a desaparecer. Cinco anos depois, o Terceiro Reich nazi estava completamente destruído – Hitler suicidou-se em Berlim. Churchill desempenhou um papel muito importante nesta reviravolta.
Mas não foram apenas a sua determinação e coragem que transformaram Churchill num homem respeitado e honrado e isto leva-me à segunda questão – os discursos de Churchill. Churchill foi um aluno miserável em Harrow. As suas notas em Grego, Latim, Matemática e Francês foram sempre muito más. O que Churchill aprendeu em Harrow foi a ler e a escrever muito bem. Em 1940, escrever e falar foram armas decisivas para Churchill. Os seus discursos memoráveis, claros e objectivos, ainda que um pouco retóricos, permitiram ao povo britânico ultrapassar e vencer a Segunda Guerra Mundial, um período muito difícil, mantendo sempre a coesão espiritual: acreditavam em si e no seu líder. As palavras de Churchill foram muito importantes na afirmação da sua liderança política.
“Blood, toil, tears and sweat” – “sangue, trabalho árduo, lágrimas e suor” - foi tudo o que Churchill prometeu no seu primeiro discurso enquanto Primeiro-Ministro em Maio de 1940. Sangue, trabalho árduo, lágrimas e suor para quê? Para “vencer, vencer a todo o custo, vencer apesar de todos os medos, vencer por mais longo e difícil que seja o caminho”. Prometeu-lhes dedicação, devoção e segurança. Pediu coragem, força de vontade, persistência e, acima de tudo, união, união de todo o povo inglês, para que pudessem lutar juntos contra todas as adversidades. E foi com estes admiráveis discursos que Churchill levou a que, embora não de imediato, todos depositassem a sua confiança naquele que se tornara o único homem audaz e dedicado capaz de salvar a nação na sua hora mais difícil.
São estas atitudes frequentes em Portugal? Não, não vemos homens como Churchill nem discursos como os dele. Não vemos, mas devíamos. Deparamo-nos sim com líderes políticos apenas interessados em governar, aliciando os portugueses com soluções rápidas e fáceis mas pouco ou nada eficazes através de discursos vagos, pouco precisos, impessoais. O nosso país requer uma mudança de mentalidade. Precisamos de ser, mais sinceros, confiantes e persistentes, capazes de sobressair e lutar em situações difíceis tais como a que vivemos agora. Essa mudança tem que ser feita por todos, incluindo nós, jovens, que muitas vezes nos esquecemos que o futuro está próximo e que em breve as oportunidades e responsabilidades chegarão. Há, assim, a necessidade de desde cedo nos tornarmos, não só empreendedores, participando activamente no mundo que nos rodeia, mas também líderes, líderes da nossa própria vida, tomando as nossas próprias decisões, mesmo que muito difíceis, lutando para atingir os nossos objectivos, as nossas ambições, mesmo que isso implique fazer frente a tudo e todos, tal como Churchill fez.
E é isso no fundo o que a República das Letras nos ensina: a lutar contra a atitude negativista e descuidada que alastra por toda a nossa sociedade; a direccionar as nossas escolhas e atenções, sempre de olhos postos no futuro; a preparar-nos para o que não é novo para o mundo mas será novidade para nós. E, também, que é natural errar. Isso aprendemos com Churchill que, tão tarde, das cinzas construiu a sua figura imortal. O importante é nunca desistir e acreditar que conseguimos ser melhores, não melhores do que os outros, isso é relativo, mas melhores do que nós próprios.


Alice Pimentel

quinta-feira, 12 de março de 2009

Artigo - Maria Roussal

Uma Questão de Mentalidade
Numa recente conversa com João Toste, tive a oportunidade de compreender a enorme diferença de mentalidade entre os jovens portugueses e americanos face à educação e ao ensino. Terceirense de nascimento, João Toste é actualmente estudante do 3º ano de Economia e Ciências Políticas na Universidade Chapel Hill na Carolina do Norte, Estados Unidos da América. O João estudou em Angra do Heroísmo até ao 11º ano, terminando o 12º na Lajes High School (actualmente Lajes American School), a escola americana na Base Aérea nº 4. Segundo a sua experiência escolar e universitária, existem três grandes diferenças entre os dois sistemas.
Comparado com o norte-americano, o sistema português é pouquíssimo exigente, tem um nível mais baixo e os colegas não são muito competitivos. Outro facto muito influente é o nível dos professores. Tal como o João refere, é importante a escola estar bem equipada com meios tecnológicos, mas o mais para o desenvolvimento dos alunos são os professores. Além disso, comparando os dois sistemas de ensino, há uma diferença brutal que muda tudo: o sistema americano tem mais flexibilidade, ou seja, os alunos têm a opção de escolher entre disciplinas mais fáceis ou mais difíceis, o que faz com que os melhores sejam muito melhores e com que os piores sejam muito piores. Esse tipo de liberdade de escolha faz com que seja muito mais fácil ver quais é que são realmente os bons alunos porque o sistema não estabeleceu um determinado padrão de dificuldade composto por certas disciplinas comuns a todos os alunos. Os alunos que querem progredir e que têm realmente o talento ou a vontade de melhorar, trabalham de acordo com as suas capacidades e não são atrasados pelos mais desinteressados ou pouco trabalhadores. Isto faz com que o mínimo exigido pelo sistema seja muito mais elevado. Para os alunos ambiciosos e determinados “o infinito é o limite e não o sistema”.
Para terem boas hipóteses de entrar nas melhores universidades americanas, os candidatos do ensino secundário não se limitam a escolher as disciplinas mais difíceis e a ter uma média considerada perfeita. Ser excelente na escola não é suficiente para garantir o acesso à universidade pretendida. Para serem aceites, estes alunos têm que ter desenvolvido actividades extracurriculares consideradas interessantes pelos departamentos de admissão universitários - algo que mostre que os alunos querem realmente ser “os mais activos da sua comunidade”.
Quando se chega à universidade, pouca coisa muda. O grau de exigência, obviamente, é extremamente elevado, mas os alunos continuam a não se limitarem a tirar muito boas notas nas disciplinas. Segundo o João Toste, “nos Verões, um bom aluno, entre os anos, encontra sempre uma coisa produtiva para fazer, mas num nível muito superior; na verdade, mesmo um aluno médio não passa os Verões sem ter algo produtivo e desafiante para fazer”. É aqui que se vê uma enorme diferença de mentalidade entre os alunos norte-americanos e os alunos portuguêses, que, segundo a justificação do João, tem a ver com questões culturais.
Por fim, tendo em conta a sua experiência, o João Toste considera ter mudado muito a sua mentalidade. A melhor forma de mostrar isso é um simples exemplo: “A ideia de dormir 4 horas por dia durante 4 dias seguidos não é nada de especial de longe. Ter que estudar uma disciplina e preparar-se para uma reunião e ligar a não sei quantas pessoas por causa de um projecto que estou a desenvolver e marcar a viagem para um determinado sítio e juntar tudo isso no mesmo dia e ainda ir às aulas e ter tempo para amizades – tudo isso podia parecer uma coisa brutal que não fazia sentido nenhum e que precisava de demasiado esforço e que não recompensava, mas acho, acho que é perfeitamente normal e é o mínimo, pois para mim, ser aluno médio na universidade seria péssimo”.
Os Estados Unidos da América estão no topo da lista das melhores universidades mundiais. Muitas destas universidades são importantes centros de investigação e de inovação. Portugal está a um outro nível, mas tem todas as condições para se transformar, a médio prazo, num pólo importante na inovação tecnológica a nível europeu. Então porque não faz como a Finlândia que, citando Paulo Nordeste, da Portugal Telecom, “ocupa hoje os lugares cimeiros em practicamente todos os “rankings” internacionais ligados à competitividade, investigação e desenvolvimento, inovação e desenvolvimento da sociedade da informação e do conhecimento”? O sucesso finlandês resulta da aposta sustentada na educação, investigação e tecnologia. O nosso problema, não é uma questão de inteligência, mas sim de mentalidade. Como explica António Câmara, presidente da Y-Dreams, já há muitos portugueses dispersos pelo globo cujos talentos são reconhecidos por grandes empresas como a Lotus ou a Apple.
E nós? Conseguiríamos fazer a diferença se fossemos educados com outra mentalidade, se fossemos ensinados que a partir do primeiro ano de escolaridade começa o trabalho, o esforço e a dedicação ao estudo. Quanto aos estudantes universitários, tal como disse um amigo de família, o economista Mário Rui Ferreira, “eles têm de perder o medo de serem escravos durantes 5 anos para poderem ser reis para toda a vida”.
Diário Insular 17 de Fevereiro de 2009

Artigo - Maria Roussal

O Fosso entre a Escola e a Universidade
Um país depende muito do nível de educação e da ambição da sua juventude. Se o nível é elevado, há maior capacidade de inovar, criar riqueza e desenvolver o país por parte dos estudantes que saem das Universidades. Tudo isto implica a existência de Universidades e cursos exigentes. E implica também que existam escolas secundárias de grande qualidade. Em Portugal, o nível do ensino nas melhores universidades tem vindo a aumentar todos os anos. O das escolas secundárias nem por isso. Para um aluno no final do ensino secundário, este fosso entre a escola e a universidade é altamente preocupante.
Portugal quer aparecer mais no mundo da Ciência, Tecnologia e Inovação. Só assim será possível o desenvolvimento económico do país. Thomas Friedman, colunista do New York Times, defende que o mundo ficou mais plano graças à globalização e que para inovar, já não é necessário mudar de sítio. Richard Florida, Professor de Negócios e Criatividade na Joseph L. Rotman Business School da Universidade de Toronto, diz que não é bem assim. Mesmo que não se tenha que emigrar para inovar, Florida defende que a inovação, o crescimento económico e a prosperidade acontecem em sítios onde a concentração de talentos criativos é muito elevada. O mundo da inovação não é plano. É pontiagudo! Por isso mesmo, Portugal ainda não aparece no mapa dos picos científicos e tecnológicos mundiais. Não aparece, mas quer aparecer.
No Porto, os três grandes institutos na área da Bio-Ciência – o Instituto da Biologia Molecular, o de Engenharia Biomédica e o de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto – fundiram-se e deram origem ao I3S (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde), onde irão trabalhar mais de 600 cientistas. A criação do I3S despertou o interesse da comunidade científica na Galiza que mostrou interesse em associar-se a este novo instituto. A Universidade Católica Portuguesa, a Universidade Nova de Lisboa e o Massachusetts Institute of Technology (MIT) criaram o “Lisbon MBA”, com o duplo objectivo de atrair para Lisboa excelentes alunos internacionais e formar gestores de topo em Portugal. Este MBA terá aulas em inglês, arrancará em Janeiro de 2009 e fará de Lisboa a primeira cidade europeia a ter um programa de formação de executivos empresariais em parceria com a Sloan Management School do MIT, a 7ª melhor do mundo na avaliação do Financial Times (http://rankings.ft.com/global-mba-rankings) Mais recentemente, cinco universidades – Porto, Aveiro, Católica (Porto), Minho e Coimbra – juntaram-se e lançaram o “Magellan MBA.” Tal como o “Lisboa MBA,” este programa será também leccionado em inglês e tem parcerias com a London Business School e com o Instituto de Empresa de Espanha, a segunda e a oitava escola mundiais na avaliação do Financial Times.
O que é que estes dois exemplos dos mundos da investigação científica e da gestão mostram? Acima de tudo que Portugal quer entrar num mundo mais competitivo e inovador, mas também quer que este mundo entre em Portugal. E que outra forma há de atrair a inovação e o talento a nível mundial para o país do que criar condições para que isto aconteça?
Foi isso que a Faculdade de Direito da Universidade Católica fez ao criar um curso de International Trade and Business Law leccionado em inglês, ao criar um mestrado em Direito em inglês e ao introduzir na licenciatura em Direito algumas cadeiras também leccionadas nesta língua. Como defende o Professor Luís Fábrica, no Público (“Inglês nas Faculdades de Direito?”, 14 de Dezembro de 2007), “Decerto que o tronco curricular da licenciatura em Direito é e continuará a ser formado por cadeiras onde se labora sobre o ordenamento jurídico nacional e tendo o português como a língua de trabalho (…) mas existe seguramente cada vez mais lugar para mestrados centrados em temáticas internacionais ou transnacionais, em que a produção científica portuguesa é reduzida e o inglês se assume espontaneamente como a língua de trabalho por excelência (…)”.
E porquê? Porque, ainda segundo o Prof. Luís Fábrica a globalização é uma realidade e “(…) a partir de uma certa dimensão, os negócios serão feitos em inglês e com recurso a regimes e institutos jurídicos de direito transnacional, com forte influência anglo-saxónica.” Além disso, ao leccionar mais em inglês, a Universidade Católica consegue contratar professores estrangeiros muito bons, que podem leccionar na actual língua franca mundial. Atrás dos melhores professores, vêm os melhores alunos. O resultado final deste processo serão cursos melhores para alunos portugueses e, pormenor importante, estrangeiros.
As escolas secundárias devem acompanhar o que está a acontecer nas Universidades. O problema é que isso não está a acontecer. Na primária, continua o colégio porque, “são tão pequeninos os meninos”. A comparação com outros países europeus, onde os “meninos pequeninos” são ensinados a ler, escrever e contar no colégio não nos é muito favorável.
No 1º e 2º ciclos, o programa aumenta um pouco e quando os alunos chegam ao 3º ciclo, cai um “balde” de matéria e de exigências completamente inesperado e aparentemente muito grande. Mas será mesmo assim? Claro que, comparativamente com o que tivemos antes, sim. E com o que vem depois na Universidade?
Um número muito elevado de alunos no final do ensino secundário não sabem o que é um ensaio, algo que lhes é pedido no primeiro mês de aulas na Universidade e horrorizam-se com cem páginas de matéria que sai para um teste. Na Universidade estão à nossa espera centenas de páginas por semana, muitas delas em inglês. Mesmo os bons alunos de Matemática no 12º ano estão a ter grande dificuldade em acompanhar o que os professores leccionam nas primeiras semanas de aulas de um curso universitário nas áreas da tecnologia e ciência.
O fosso entre o 12º ano e a Universidade é muito grande. E agora? O que fazer? Será que os alunos sabem da existência deste fosso? Quem é o responsável por esta situação? E é aqui que começa o silêncio; um silêncio muito incómodo para os alunos do ensino secundário.
Diário Insular 19 de Junho de 2008